Tempo e dinheiro

Uma coisa que me chamou a atenção desde que decidi ser mãe através da adoção é que a maioria das pessoas que adotam – pelo menos, as que encontrei até aqui – não são, necessariamente, ricas.

E o dinheiro sempre foi algo que me fez adiar a maternidade. 

Mas noto que as pessoas que adotam são ou de classe média ou mesmo pobres, pessoas que moram em casas humildes, sem carro, sem patrimônio, enfim.

Eu nasci numa família que tem um certo patrimônio, mas que também não é rica. Eu, pessoalmente – porque cada um de nós precisa construir sua vida, seu patrimônio, e o que é dos meus pais não é meu – sou classe média C, acho : )

Estou no consórcio do carro, moro de aluguel, num apartamento de dois quartos em um conjunto habitacional novo, lindinho e organizado, mas na periferia e que faz parte do programa Minha Casa Minha Vida. Ando de ônibus, de carona ou de carro emprestado (da irmã e dos pais).

Não sei nem se é legal alugar esses apartamentos, mas a maioria dos meus vizinhos é como eu, ou até tem mais dinheiro. Acho que não é esse o perfil de quem “deveria” morar no Minha Casa Minha Vida.

Mas enfim, este post não é político. Nem fala necessariamente de adoção, mas de maternidade em geral, e, em específico, da relação entre dinheiro x patrimônio e filhos.

Também não sou casada, e noto que isso é um luxo. Morar sozinha é um luxo. Eu pago por dois, para ter o privilégio de morar como um. E não é tanto privilégio assim; gosto da minha liberdade, a-do-ro mandar na minha casa, afinal, sou eu que pago as contas, mas, quanto mais meu sonho de maternidade se aproxima, mais em penso como seria bom ter alguém para dividir tudo isso.

Não é só pelo dinheiro, mas pela responsabilidade. E não é que mães solteiras não dão conta. Ou pais solteiros. Conheço muitas, todas maravilhosas, que criam e criaram seus filhos no peito, na raça e na coragem, e deu muito certo. Mas o caminho pode ser mais leve quando compartilhado.

Também sou uma tradutora freelancer, autônoma. Tenho projetos fixos, o que significa que tenho um rendimento mensal pré-determinado, além de jobs pontuais. Minha renda é bem maior que a média brasileira (como se isso fosse vantagem…), mas, ainda oscila. Também não tem os privilégios da carteira assinada, nem o amparo de uma empresa, que lhe paga plano de saúde, FGTS, aposentadoria, vale-alimentação e transporte. Sai tudo do meu bolso.

Também tenho que cuidar de minha carreira, prospectar novos clientes, estar sempre me atualizando para não ficar para trás, e pagar todas as coisas de seguridade social por fora. Vai ser assim também quando meu filho chegar.

Também não tenho férias remuneradas. Ano passado, trabalhei o ano todo, sem descanso. Não deu. Tive que montar meu primeiro apartamento e o dinheiro foi drenado, apesar da renda ter aumentado. E este ano, vai dar?

Às vezes, como agora mesmo, em que tenho um projeto enorme para entregar em três dias, e que tenho que passar longas horas editando textos na frente do computador, que imagino se vou dar conta.

Criar de qualquer jeito, qualquer um faz, mas quero passar tempo de qualidade com meu filho, sem quebrar a cabeça para pagar as contas. 

Esse post não é um mimimi. Parece, mas não é : )

Eu amo meu trabalho. O projeto em questão, que tenho que finalizar em breve, é meu terceiro livro traduzido. Sinto orgulho de cada um. Amo meus clientes. Eles acreditaram em mim nunca época em que eu nem sabia que podia ser uma excelente tradutora. Eles elogiaram meu trabalho, me surpreenderam, me recontrataram, me disseram coisas gentis, doces, me encorajaram. Eu devo muito à minha carreira de tradução.

Sinto que é uma questão de confiar, mas também estou testando novos caminhos. A partir da semana que vem, vou prospectar empresas e espalhar currículos. Talvez tenha chegado a hora de procurar um projeto mais off-line, e quem sabe evoluir para um contrato formal, coisa de que não gosto, porque prezo muito minha autonomia e liberdade.

Mas, com filhos, as prioridades mudam, não é? E sinto que é uma mudança muito boa, porque é de minha vontade, eu quero isso.

E cada novo passo que dou nesse caminho me enriqueço. Então, nem cogito parar.

“Toda criança traz consigo seu pão”, foi uma frase que ouvi um pai dizer uma vez. Sim, acho que Deus abençoa, mas a gente também tem que fazer a nossa parte.

Avante! : ) ❤

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