Meu Diário de Adoção: Primeira reunião no Grupo de Apoio

Ontem, fui pela primeira vez para o encontro do Grupo de Apoio para Pais e Pretendentes à Adoção, o Gead Recife.

Os encontros são mensais, e como são realizados do outro lado da cidade, eu me embananei no mês de março e não consegui chegar a tempo – depois de pegar três ônibus e sair duas horas antes de casa. E nem adiantava ir de carro, pois não saberia chegar de toda forma.

Mas, me informei, me preparei, e, em Abril, cheguei direitinho e assisti a toda a reunião, graças a Deus, porque foi maravilhosa. Mais uma vez, saí com a cabeça nas nuvens – “Ain’t no mountains high enough…”

Após uma breve palestra e introdução, dois casais foram convidados a falar. O primeiro tinha uma filha biológica adolescente, de 16 anos, e adotou três irmãos: uma menina de 10 anos, um menino de 8 e outro de 4 anos.

Eles foram buscar os filhos adotivos em Minas Gerais, e estão com eles há 9 meses. Foi muito enriquecedor ouvir a experiência deles, vê-los ao vivo, e conhecer os dois meninos, que haviam vindo para a reunião, mas que não ficam o tempo todo conosco.

O Gead fornece recreadores que ficam com as crianças no andar de baixo da escola. Quando passei pelo hall do colégio para ir até a reunião, passei apressada e achei engraçado tantas crianças correndo para lá e para cá e brincando – parecia um dia de aula, mas era sábado.

Então, eles responderam às perguntas do público rapidinho, porque estavam com duas filhas, a biológica e a adotiva, com crise alérgica em casa.

As perguntas que as pessoas fizeram eram minhas dúvidas, então, nem precisei abrir a boca:

  • Como foi o período de adaptação?
  • Por que houve o desligamento com a família biológica?
  • Há quanto tempo estão juntos?
  • Como foi a adaptação na escola?
  • Qual a maior dificuldade até hoje?
  • E as maiores alegrias?
  • Como decidiu adotar?
  • As crianças falam da sua vida antes da adoção?
  • Como a família de vocês reagiu?

Enfim, essas dúvidas que a gente conhece bem. Eles esclareceram tudo, sempre destacando que não há receita de bolo e que cada experiência é diferente.

O segundo casal tinha duas filhas biológicas, uma de 24 anos e outra de 17, e adotou mais três meninas: Anne, de 14 anos, de São Paulo; Poliana, de 15 anos, do Recife, e Vanessa, de 15 anos, também do Recife.

É impressionante ver uma família com 5 meninas! E muito bonito também. Eu sempre me imaginei mãe de menino. Sempre quis ser mãe, desde muito nova, e sempre me imaginei grávida de um menino, apesar de amar meninas também. Foi bonito de ver aquela família tão feminina. Mas rimos muito quando o pai falou: “Chegou um momento em que eu não aguentei e virei para minha esposa e disse: ‘Eu preciso de um homem na minha vida!'” Ela ficou rindo e disse: “Mas como assim, como é esse homem, para que eu saiba né?” : D

Realmente, uma casa com seis mulheres não deve ser fácil para um “bendito” entre elas.

A história de todas as meninas é bem diferente e cada uma tem suas particularidades. Mas o caso de Vanessa se tornou famoso porque ela participou da campanha do Sport (um dos maiores times de futebol do Recife) chamada “Adote um pequeno torcedor”.

A campanha pode ser conferida no vídeo abaixo. Vanessa aparece logo no início:

E neste vídeo do G1 Pernambuco, você pode assistir história da família de Vanessa.

O encontro durou duas horas, e a sala estava lo-ta-da. Foi triste ver algumas pessoas em pé o tempo inteiro, inclusive a coordenadora do encontro – só fui notar isso quando cheguei em casa.

E está tão lotado que a partir da próxima reunião, vamos nos encontrar num local novo, mais distante ainda, por isso, já vou me preparando com antecedência para não me perder novamente.

Vai haver também uma caminhada no dia nacional de adoção, dia 25 de maio. Detesto caminhadas, protestos, procissões e afins, mas mãe é mãe, né? E é um movimento importante para dar visibilidade à adoção. Acho que Pernambuco ainda tem muito a crescer nesse sentido.

Eu gostei demais de ter participado, e me senti no lugar certo, no caminho certo, cercada pelas pessoas que me entendiam e que tinham valores semelhantes aos meus em relação ao que é família, maternidade, paternidade, filiação, amor, vínculo, felicidade etc.

Foi regenerador depois da tempestade de críticas do mês passado. Tudo isso só aumenta minha certeza de que estou no caminho certo. E agora sei que vou enfrentar as dificuldades com ainda mais forças.

__/\__

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8 thoughts on “Meu Diário de Adoção: Primeira reunião no Grupo de Apoio

  1. Que legal!!!
    Que bom que vc pode ver essas histórias reais de perto e perceber que pode dar certo e com amor e carinho sempre vai dar certo né.
    Eu amo esse vídeo, conheci ele um ano atras, ja vi dezenas de vezes, e sempre mostro pra pessoas que tem duvidas sobre adoção tardia, é maravilhoso né?..eu sempre choro kkkkk.
    Quais são seus próximos passos no processo?

    Bjoo.

    • Oi, Mi,

      Você conhece os vídeos “Adoção tardia – Laços de Amor”? Me acabo de chorar, e foram muito importante na minha decisão de adotar. Eu só conseguia pensar em adoção tardia, adoção tardia, parecia uma coisa! : )

      Enfim. Minha assistente social disse que meu curso deve acontecer em junho. Até agora, já fiz uma entrevista com a assistente social, outra com a psicóloga e já teve uma visita super rápida ao meu apartamento. Parece que está tudo indo bem, mas fico meio com medo de ligar e perguntar, não sei se isso seria algo que os pretendentes deveriam fazer, pois acho que pode mostrar ansiedade, não sei. Mas se ninguém da Vara me ligar esta semana, acho que dou uma ligadinha para lá, para saber em que pé está.

      Até porque, minha assistente social, na minha última visita, disse que ia falar com a juíza para ver seu já poderia visitar um abrigo (!!!!). Seria minha primeira visita a um abrigo como pretendente – a única vez que fui, foi como estudante de jornalismo, há uns 12 anos, fazer uma matéria.

      Então, estou aguardando, e enquanto isso, me organizando, minha grande preocupação agora é conseguir ter mais estabilidade financeira, mas isso também está bem encaminhado, graças a Deus.

      O seu processo, como está?

      Beijos :*

  2. Conheço esses vídeos sim, ja assisti no minimo 2 vezes cada um, e sempre choro horrores kkkkk, são sensacionais né?
    Aqui é ao contrário né..então o curso é primeiro de tudo, estamos fazendo todo sábado, já a mais de um mês, por conta desses feriados essa semana e a próxima não terá, volta dia 29 e eu acho que será o penúltimo, então, pelas minhas contas acaba na primeira semana de maio, aí pegamos o certificado do curso e entregamos na vara junto com os outros documentos, só então eles marcam com a assistente social e psicologa para dar o veredito.
    Estou pensando super positivamente, que se Deus quiser até no máximo agosto estaremos habilitados, tomara que essa previsão esteja certa!

    Realmente algumas coisas são bem diferentes kkk, aqui os pretendentes não podem visitar abrigos, após habilitação é só esperar a vara ligar para anunciar a chegada do filho, mas nem por busca ativa podemos ir nos abrigos, só esperar mesmo!
    Eu vou em um abrigo toda semana, mas pq antes mesmo de entrar com o processo eu já fazia um trabalho voluntário em um abrigo, então vou toda semana lá ver minhas acrianças que eu amoo 🙂 .

    Mas essa sua visita no abrigo seria para qual finalidade?..tomara que seja logo!!

    Quanto a estabilidade financeira, acho que em todos nós bate essa preocupação né?..eu pretendo mudar de casa no meio do ano(daqui no maximo 4 meses) e já estamos nos preparando para receber nosso filhos (ainda mais pq sabemos que vão ser vários kkk), mas eu acredito que com Deus na frente não tem como dar errado né, e que não faltará nada nem para os meus nem para os seus filhos, e o mais im portante que é o amor nós ja temos.

    Bjoo.

    • Mi, eu não sei, acho que ela quer me mostrar a realidade das crianças no abrigo, porque eu realmente não conheço nenhum. Acredito que ela não tenha nenhuma criança para mim já em mente, pois minha habilitação só deve sair depois de junho, no mínimo, depois de eu terminar o curso. Mas fiquei animada e ao mesmo tempo apreensiva de ir no abrigo. Não sei se levo brinquedos, chocolates, ou se apenas vou eu mesma, e conheço as crianças e vou sentindo como pode ser nosso relacionamento a partir daí. Enfim, vou falar sobre isso com minha assistente social.

  3. “Detesto caminhadas, protestos, procissões e afins, mas mãe é mãe, né?’ kkkkkk Ri muito!
    Muito bom quando as etapas vão ficando para trás, né?
    Meu sonho é depois que já estiver com meu filho(a) fazer relatos nos grupos de apoio. rsrs.
    Boa sorte!

    • Oi, Joy, eu já estou ensaiando as palestras que vou dar nos grupos de apoio rsrsrsrsrs Meu segundo nome devia ser “Expectativa”, logo seguido pelo sobrenome “e Fantasia”, porque minha mente viaja muito quando estou animada.

      Quanto à caminhada, eu não queria ir, até porque não sou dessas pessoas que faz amizade rápido e já me imagino lá, toda desconfortável, com cara de paisagem, vestindo a camisa do evento, segurando umas bolinhas de aniversário e me perguntando o que é que estou fazendo ali, enquanto espero que termine o mais rápido possível.

      Mas a coordenadora do evento disse: “Este ano, queremos ver mais pretendentes. O número de pretendentes é sempre muito pequeno em nossas caminhadas. Por quê? Lembrem-se de que nós estamos construindo um mundo melhor para os filhos de vocês”.

      Aí não dá para negar, ne? Vou ver se me enturmo um pouco mais no grupo de apoio para poder ir para essa caminhada. : )

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