Meu primeiro passo

adoption

No início da semana, finalmente dei entrada no processo de adoção.

Eu tinha ido ao Fórum na semana passada, mas faltaram dois documentos importantes – minha certidão de nascimento (eu havia sido informada que não era necessário) e a certidão de antecedentes criminais emitida pelo Fórum – eu havia emitido o documento pelo site do Instituto Tavares Buril.

Mas não perdi a viagem até o fórum, pois pude preencher a ficha para os pretendentes à adoção e conversar com uma profissional da Vara da Infância, não sei se ela era psicóloga ou assistente social, mas me esclareceu muitas coisas.

A famosa ficha que os pretendentes à adoção preenchem

Eu assisti a zilhões de vídeos sobre adoção na internet e notei que a famosa ficha que os pretendentes preenchem era um tema recorrente.

Eu tinha uma certa apreensão quanto ao momento em que eu teria que preencher a ficha, mas achava que não tinha nada com que me inquietar, pois esse momento ia demorar a chegar. Achei que antes eu teria que ter minha papelada aprovada, realizar um curso sócio-jurídico, passar pelas entrevistas e tudo o mais.

Para minha surpresa, a ficha faz parte dos documentos iniciais para dar entrada no processo de adoção, então, foi preenchia à queima-roupa, no balcão do fórum mesmo.

Eu achei a ficha bastante simples. No início, é preciso preencher seus dados pessoais, como nome, endereço, faixa salarial, situação profissional etc. Tem também um espaço para um segundo pretendente (que acho que é para um marido, esposa ou parceiro(a)), que deixei em branco.

A segunda parte é o X da questão. Nela, nós vamos definir o perfil da(s) criança(s) desejada(s). Você precisa definir o número de crianças que está disposta a adotar. Eu coloquei até duas, pensando no caso de irmãos ou irmãs.

Então, você define se gostaria de adotar crianças de outros Estados, e tem a opção de escolher de quais Estados você gostaria de adotar. Eu marquei a opção Todos os Estados do Brasil, porque realmente não tenho nenhum problema em adotar crianças de outros Estados.

Conversando com a profissional da Vara, ela me chamou a atenção para o fato de que, ao escolher essa opção, eu teria que estar disponível para viajar até o Estado de origem da criança e ficar um tempo lá, para conhecê-la.

Eu expliquei que estava ciente disso e que podia sim me deslocar, por ser autônoma.

Então, você escolhe a raça – índia, negra, branca… coloquei Indiferente.

E daí você escolhe a idade das crianças. Contando anos e meses. Eu coloquei uma faixa etária bem ampla: dos 0 anos e 0 meses até os 12 anos e 11 meses. Refleti bastante sobre a questão da idade e imaginei que:

  • Seria maravilhoso poder adotar um bebezinho, mas eu sei que é bem difícil, já que a maioria dos pretendentes deseja um bebê de 0 a 2 anos.
  • Seria maravilhoso também adotar uma criança mais grandinha, que já pode falar e, portanto, a comunicação fica bem mais fácil entre mim e ela. Ela já pode dizer como se sente, do que gosta e do que não gosta etc.
  • Uma criança maior já poderia ir para a escola, me dando um expediente livre para trabalhar.
  • Um filho é para a vida inteira, então, se ele já me vem com 11, 12 anos, ainda temos muitos anos pela frente, portanto, não teria problema algum em adotá-lo, se eu sentir uma conexão emocional com o pequeno.
  • Não me sinto com estrutura para adotar um adolescente, com 15, 16 anos. Não sei, acho que seria um pouco mais difícil para mim e para o adolescente.

Após refletir sobre essas questões, defini minha faixa etária. Conversando com a profissional, ela me pediu cautela, pois a minha faixa de idade parecia ampla demais. Ela falou para eles seria ótimo, pois eu encontraria uma criança compatível rápido, mas que talvez pudesse haver algum problema com a adaptação. Como ela falou que uma criança com 12 anos e 11 meses era quase um adolescente de 13 anos – o que é verdade – baixei a faixa etária para os 11 anos e 11 meses, porque aí fica até os 12 anos mesmo.

Eu imagino que alguns pais e mães que possam ler isso podem se sentir indignados, por terem adotado adolescentes e dado muito certo tanto para eles quanto para os filhos adotivos.

Eu concordo e admiro muito vocês. Assisti a vários vídeos no YouTube de pais que adotaram adolescentes, com até 18 anos de idade, e as histórias são emocionantes e lindas de se ver. Inclusive, vi uma família que adotou três adolescentes, com 15, 17 anos, e têm uma vida muito feliz. Há inúmeros casos de sucesso. Também ficaria muito triste se um adolescente num abrigo algum dia lesse este artigo e se entristecesse, sentindo que é menos “adotável”. De jeito nenhum!

Assistindo aos vídeos, vi adolescentes encantadores dando seus depoimentos nos abrigos. Eu me sinto até meio fraca ao escrever isso, mas queria explicar um pouco meu lado:

  • Eu sou mãe de primeira viagem. Não tenho filhos, nem biológicos nem adotivos, e ainda estou aprendendo a ser mãe. Não é tão fácil, e claro que tenho minhas ansiedades e medos. Ainda estou “engatinhando” e não posso mentir para mim mesma nem para a criança – não me sinto pronta para ser mãe de um adolescente. Mas muitas outras pessoas com certeza estão.
  • Outra preocupação minha é que não sou casada. Como mãe solteira, sei que enfrento desafios únicos. E, na adolescência, há demandas maiores, eu acho – viagens, cursos extra-curriculares, preparações para o vestibular, para a carreira, para a vida adulta. Há os desafios que os adolescentes enfrentam, como a descoberta da sexualidade, o pertencimento em grupos de amigos, a experimentação, o “correr riscos”. Não se aguento, eu já fui adolescente e sei : )
  • Tudo isso pode ser preconceito meu, e acho que é, mas só que não me sinto com estrutura, e achei melhor ser bem sincera ao preencher a ficha. Quem sabe daqui a alguns anos eu me sentirei pronta para adotar um adolescente?
  • Quanto a uma criança de 12 anos ser quase uma adolescente, isso é verdade, mas acho que, até os 12 anos, eu me sinto confortável para educar uma criança e seguir a partir daí. Sei que estarei com meu filho(a) durante todas as fases da sua vida, não apenas na infância, mas acho bom que nosso relacionamento comece ainda na infância.

Dito isso, passemos para a parte mais difícil da ficha. Definir se você está disposta a adotar uma criança com alguma doença tratável, alguma doença incurável, deficiência física ou mental, ou com vírus HIV, ou se não faz restrição.

O impulso inicial é marcar “não faz restrição”. Mas, novamente, tive que ser cruelmente sincera comigo mesma.

Eu tenho condições, hoje, de acolher uma criança com necessidades especiais? Financeiramente, socialmente, emocionalmente… não. Passar momentos difíceis ao lado da minha criança num hospital, medicamentos constantes, o medo de perdê-lo(a) a qualquer momento…não consigo lidar com isso.

Sei que um filho biológico pode adoecer, sofrer acidentes, nascer com má-formação…sei sim de tudo isso, mas não consegui marcar sem restrição porque não correspondia ao que eu sentia no íntimo.

E sinceridade consigo mesmo é fundamental.

Também assisti a vários vídeos de pessoas que adotaram crianças com doenças incuráveis, HIV, necessidades especiais, e que são imensamente felizes, assim como os pequenos que adotaram. Mais uma vez, minha eterna admiração. Mas não consigo neste ponto da minha caminhada. Novamente, quem sabe mais à frente?

Bem, este artigo ficou maior do que eu imaginava.

Mas, continuando, depois de reunir os documentos, fui até o Setor de Distribuição do Fórum para dar entrada no processo, que agora corre em segredo de Justiça. Recebi um número e a xerox da ficha com uma numeração impressa. Acho que agora é aguardar, mas daqui a alguns dias, devo ligar para o Fórum para saber como faço para mudar meu endereço, pois também estou mudando de apartamento nesta semana. E a mudança também foi influenciada pela adoção. Mas isso é assunto para outro post…

 

 

 

 

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3 thoughts on “Meu primeiro passo

  1. Que legal!!!!!
    As coisas estão andando!!
    Aqui na minha comarca em SP eu preciso primeiro fazer os cursos preparatórios(visitas aos grupos de apoio), para só depois entregar a papelada, juntamente com o certificado do curso.

    Adorei as novidades, e o importante é vc seguir o seu coração na escolha do perfil.
    Sábado fui no grupo de apoio, e foi falado que temos essa vantagem na adoção que não temos na gravidez, de escolher como nosso filho será, e o que podemos suportar, com o que podemos lidar.
    Quando citaram isso lá como uma vantagem e não como uma possível acusação, percebi que nós mesmos somos as primeiras a nos julgamos né?

    Vamos usar isso ao nosso favor, sem pensar nas opiniões alheias e sermos sempre sinceras com nós mesmas sabendo em que momento estamos, e que filho estamos preparadas para receber agora.

    Bjoo, estou na torcida!

  2. Oi, Mi,

    Lembrei de você ao escrever este post : ) Seu curso já começou? Quando poderá entregar os documentos?

    Aqui, as coisas estão mais rápidas do que eu imaginava. Segunda-feira já tenho uma entrevista no Fórum e estou ansiosa. Li em algum lugar que Pernambuco é um dos estados que mais agilizam processos de adoção, e também vi no Instagram uma notícia falando que surgiu uma nova lei afirmando que o processo todo não pode passar dos 8 meses o.O parece uma gestação biológiica.

    Estou lidando com a ansiedade e os mil e um medos e compromissos, mas dando um passo de cada vez e confiando.

    Tenho que mobiliar muita coisa no apartamento ainda, e o quartinho da criança… Você já tem essas coisas prontas?

    Um abraço,
    Andressa

    • Oiiii, que bom que lembrou de mim 🙂 , sempre passo aqui em busca de novidades kkk.
      Por aqui as coisas não estão na velocidade que eu gostaria :/ .
      O curso começa o mês que vem(eles tinham me avisado desde dezembro), mas como em outras comarcas o processo é diferente aqui, eu achei que poderia fazer da mesma forma, mas não, aqui cada comarca tem suas próprias burocracias e vc só pode se inscrever na comarca que diz respeito a sua região, então o jeito é esperar mesmo.

      Eu vi sobre essa proposta de projeto de lei, vamos ficar superrrr na torcida para aprovarem né!!!!!

      É muita coisa mesmo para preparar para a chegada deles, eu ainda não tenho nada arrumado ou preparado, pq como o processo demora mesmo, eu vou esperar sair a habilitação para começar a ver o que ja da para deixar preparado(dependendo a faixa etária que escolhermos né), e também pq eu vou me mudar no meio do ano para uma casa maior, em função dos futuros filhos, então só vou conseguir organizar mesmo depois que me mudar!

      É louco pq tem gente que prefere não preparar nada antes e tem gente que ja tem tudo, acho que é valido ir fazendo conforme o seu coração mandar e o que te ajudar a conter a ansiedade, eu vou tentando na medida do possível manter os pés no chão para não pirar kkkk.

      Vai me mantendo informada por aqui, das entrevistas e tudo hein.

      Bjoooo.

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